Uma Desventura Aérea Banhada a Jogos

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publicado em 01.07.2016 por guerraem@gmail.com

Muitas vezes eu escrevo aqui no blog para falar sobre um jogo, dar minha opinião sobre alguma questão, ou mesmo discorrer sobre um assunto. Hoje, eu venho aqui para contar uma história que aconteceu comigo e minha filha mais velha, na qual a presença dos jogos tornou uma experiência que poderia ser extremamente estressante em uma viagem bem divertida.

Eu iria fazer uma viagem rápida ao sul do país, mais especificamente para a cidade de Blumenau, para fazer uma palestra em um evento. Como iria em um dia e já voltaria no outro, decidi levar a minha filha mais velha comigo para passear um pouco. Estava tudo planejado: pegaríamos um vôo no aeroporto de Guarulhos às 10h, que chegaria em seu destino menos de uma hora depois. Felizmente, como sempre faço, coloquei alguns jogos na minha mochila para estar preparado para a viagem!

Já no portão de embarque, vimos que alguma coisa não estava bem... A hora de embarcar já estava chegando e nada do vôo ser anunciado. Não nos abalamos, pois estávamos distraídos em partidas de Zombie Dice. Pegamos a tampa da caixa do Race for the Galaxy, que também estava na mochila, e utilizamos como “dice tray”. Enquanto um jogava os dados, o outro segurava a tampa da caixa. Como precisávamos estar ligados em mudanças de portão e anúncios da companhia aérea, o jogo foi perfeito para ocasião, pois as partidas são rápidas e a qualquer sinal conseguíamos guardar tudo rapidamente!

 

 

O vôo que estava previsto decolar as 10hrs foi sair somente as 15h30. É claro que não ficamos apenas jogando, pois também fomos almoçar e ficamos trocando de portão. Porém, a rolação de dados com cérebros e tiros certamente fez esse tempo passar mais rápido. O Zombie Dice é um jogo que sempre levo em viagens, por ser fácil de carregar e poder ser facilmente jogado em qualquer lugar. Infelizmente, os imprevistos não parariam por aí...

Durante o vôo, assim que a comissária de bordo liberou abrir as mesinhas, já sacamos nossa latinha de Dobble. Achamos melhor evitar jogos de dados, pois se um caisse no chão poderia não ser tão fácil pega-lo de volta... Por sorte, éramos somente nós dois no nosso conjunto de três assentos. Assim, pudemos sentar respectivamente nos assentos do corredor e da janela e utilizar a mesinha do meio para colocar as cartas.

O Dobble também é presença certa na minha mala em viagens! Sua latinha cabe em qualquer cantinho e qualquer tipo de apoio é suficiente para jogar uma partida. Como as partidas são rápidas e a mecânica é simples, dá para ser jogado em qualquer lugar. Por outro lado, é um jogo de atenção e que exige concentração dos jogadores, o que faz com que o tempo de viagem passe rapidamente. 

 

 

O aeroporto que iríamos pousar estava fechado por motivo de neblina e com isso ficamos mais 50 minutos rodando em cima do oceano até o piloto decidir pousar em Florianópolis. Também não nos abalamos, pois conseguimos jogar partidas em todas as modalidades de jogo possíveis. Inclusive, na hora do pouso, a comissária precisou insistir para fecharmos a mesa, pois estávamos no final de uma partida muito disputada!

Ao sair da aeronave, a saga ainda não estava terminada, pois, como descemos no aeroporto errado, ainda precisaríamos viajar de ônibus por mais duas horas até o aeroporto de Navegantes. Já estava escuro e o ônibus balançava bastante, então descartamos o Zombie Dice e o Dobble como opções nesse momento. Por sorte, tínhamos o jogo certo para ocasiões como essa: Black Stories!

 

 

O Black Stories também é um jogo interessante para viagens por exigir apenas interação vocal. Até mesmo uma pessoa dirigindo um carro pode participar fazendo perguntas e tentando decifrar os enigmas. Para ambientes em que nem todas as pessoas tem acesso visual a uma área comum de jogo, como dentro de uma van, o Black Stories é perfeito. Por esse motivo, ele também funciona muito bem se você está viajando com um grupo maior de pessoas. 

Fomos durante toda a viagem fazendo perguntas para tentar solucionar alguns enigmas macabros. Nada mais apropriado para enfrentar aquele ônibus escuro passando por caminhos desconhecidos. Ao descobrir o que havia acontecido em cada história sombria, nossa saga para chegar ao nosso destino até que não parecia tão ruim...

Muitos quilômetros e partidas depois, chegamos ao nosso destino. No hotel que deveríamos ter chegado na parte da manhã, conseguimos pisar somente às 20h30. Em relação a palestra, que estava marcada para as 16hrs, acabou sendo adiada para o dia seguinte. Dessa forma, foi possível ajustar as atividades a todos imprevistos que aconteceram e voltar para casa com a sensação de dever cumprido.

Talvez vocês estejam se perguntando sobre o Race for the Galaxy que estava levando. Quando coloquei ele na mala havia planejado joga-lo com minha filha quando chegássemos no hotel, mas estávamos tão cansados que jantamos e fomos direto para cama. Cada jogo tem seu momento certo para ser jogado, e aquele dia não foi o dele...

Felizmente, os jogos que estava trazendo na mala tornaram essa viagem cheia de imprevistos em uma experiência marcante que tive o prazer de viver ao lado de minha filha. Existem diversos jogos pequenos, como os que citei, que cabem em qualquer cantinho da mala e agregam um valor enorme durante a viagem. Por mais que, muitas vezes, você não consiga jogar todos os jogos que leva, é sempre bom estar preparado para ter o jogo certo para a hora certa. Afinal, como podemos ver com essa história, nem sempre podemos prever o que vai acontecer... 

Sobre guerraem@gmail.com


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Eduardo Guerra (@emguerra) é um jogador de RPG que se apaixonou pelos boardgames. Se sente mais atraído pelos chamados "Ameritrash", mas não recusa uma boa partida de qualquer estilo de jogo, dos familiares aos euros. Trabalha como pesquisador na área de computação no INPE de São José dos Campos. Vem se aventurando como game designer e é o autor dos jogos Crop Rotation e Enchanted Cubes.

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Comentários

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02 de Julho de 2016, 08:26

Jogos providenciais!!!! Que historia!!!!
Que dia!!


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Moacir disse:
02 de Julho de 2016, 11:33

Jogos em viagens é tudo de bom...mas eu ia ficar meio assim de jogar Black Stories no avião..vai que né...kkkkkkkkk


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20 de Julho de 2016, 14:33

Muito bom, inspirador!


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Herykson disse:
15 de Agosto de 2016, 01:13

Muito bom!!


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29 de Outubro de 2016, 15:53

Adorei... tb gosto de levar jogos nas minhas viagens!!! Fiquei até com vontade de comprar o Zombie Dice e Dobble após ler essa história... muito legal!!!!


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